A Relaxação Bergês-Bounes Como Recurso Na Clínica Psicomotora – Autor: Vera Lúcia de Mattos

AUTOR:


Vera Lúcia de Mattos
Sócia titular da ABP
Fonoaudióloga e Psicomotricista
Mestre em Psicologia Social
Doutora em Fonoaudiologia
Professora titular de Psicomotricidade da UNESA e em diversas Pós-graduações em território nacional
Membro da ABENEPI
Diretora e fundadora do Móbile - Centro Integrado de desenvolvimento
Contato: vlmattos@globo.com

A Relaxação Bergês-Bounes Como Recurso Na Clínica Psicomotora

INTRODUÇÃO

A relaxação é, essencialmente, uma experiência pessoal que tem como implicação o corpo.

É, sob diversas formas, uma técnica utilizada por inúmeros especialistas, a partir do momento em que a expressão e a comunicação, verbal ou não, entram em cena.

Costuma-se usar o termo relaxamento para todo e qualquer recurso de modificação tônico-postural. No entanto, o termo correto para denominar as técnicas que promovem essas modificações é o termo relaxação (ação de relaxar). Já, o termo relaxamento deveria ser utilizado para definir o estado que o sujeito atinge quando submetido a qualquer técnica de relaxação.

Uma vez que temos como objeto de estudo o corpo do sujeito torna-se importante refletirmos sobre este corpo... de que corpo falamos...

Nosso objeto de estudo é o corpo de um sujeito.

Um corpo que funciona de forma particular, singular, caracterizado pela subjetividade.

Podemos prolongar esta investigação pensando a questão do próprio corpo e a questão do corpo próprio. Que diferença conseguiríamos estabelecer entre estas duas expressões?

O próprio corpo é nosso organismo enquanto conjunto de funções, comum a toda a espécie humana, no entanto podemos ou não ter a consciência do espaço que este ocupa e de sua forma de funcionar nas relações que estabelece com o mundo.

E o que entendemos por corpo próprio?

O corpo próprio é aquele do qual somos proprietários!!! Do qual tomamos posse. Aquele que reconhecemos como nosso e que somos capazes de interpretar sob as mais diversas formas de representação. Um corpo construído a partir das relações estabelecidas através do sensorial, das inscrições feitas pelo Outro (linguagem) e das novas experiências que proporcionam as infinitas representações.

É então, o corpo do sujeito que propomos estudar ao pensarmos as técnicas de relaxação.

A IMPORTÂNCIA DAS PRIMEIRAS INTERVENÇÕES – O SURGIMENTO DA TÉCNICA

No início do século XX, dois autores se destacaram ao se debruçarem sobre os estudos da relação do estado de relaxamento e as reações fisiológicas, estes foram J.H.Schültz e Edmund Jacobson.

Para Schultz a relaxação nasce de três correntes de igual importância, a saber: a fisiologia; a hipnose e a filosofia oriental. Sua obra, denominada “Treinamento Autógeno” (Berlim – 1908), é de importância capital para o estudo e compreensão da relaxação e faz do estado de relaxamento em si, uma abordagem terapêutica. Após observar pacientes em estado de hipnose, SCHÜLTZ teve a idéia de recriar as condições de hipnose, com o objetivo de relaxar e curar.

Os exercícios propostos são muito sistemáticos e, pouco a pouco, o sujeito expressa aquilo que vivenciou em sua experiência. Trata-se de conduzir o paciente a um estado pré-hipnótico. A técnica divide-se em dois ciclos:

No ciclo inferior as induções permitem ao sujeito a experiência da sensação de peso, calor, ritmos cardíaco e respiratório, calor epigástrico (plexus solar) e frescor na testa.

No ciclo superior só pode ser experienciado nos indivíduos que, durante dois anos, se submeteram ao ciclo inferior.

As primeiras pesquisas de GEISSMAN e SCHÜLTZ eram voltadas para a relação do relaxamento com a fisiologia. As preocupações destes estudos eram: o tônus muscular e as funções motoras; funções vegetativas; termogênese; regulação da tensão arterial, ritmo cardíaco e respiratório.

Ao método global de SCHÜLTZ opõe-se o método periférico de JACOBSON. Este autor, no início do século XIX, começou experiências sobre as vibrações nervosas e, pouco a pouco, criou um método de controle da tensão, apresentado ao mundo da ciência em 1934. Este autor propõe uma relaxação bastante fisiológica, criando um método de controle de tensão, com objetivos de utilizar “ o mínimo de contração muscular necessária à execução de um ato” É eliminado, aqui, todo o aspecto psicoterápico (BOUSINGEN & GEISSMAN, 1987).

Nosso presente estudo tem como objetivo ilustrar com cenas clínicas o método de relaxação terapêutica na criança de Dr. Bergès e Dra. Bounes. Estes fundamentaram seu método de trabalho com base nos estudos de SCHÜLTZ e, vêm a relaxação não como educação, reeducação ou pedagogia, mas sim como uma maneira original de interrogar o corpo, cujas inibições e impossibilidades de comunicação tornam a psicoterapia verbal às vezes difícil. Trata-se de uma técnica utilizada com crianças e que vê o corpo, não como a parte portadora do sintoma, mas como uma possibilidade de representação usada pelo sujeito. A proposta é a de uma modificação progressiva entre a relação do corpo e o meio ambiente, e entre as emoções e as respostas que o corpo lhes dá. O importante não é conseguir relaxar, mas estar presente naquilo que se passa durante o tempo em que se tenta relaxar. Não são os efeitos o que esperamos. O que propomos à criança é a escuta do seu corpo num lugar, onde a criança possa dizer EU. Dar autonomia ao corpo, dissociando-se da mãe e da família, para que a criança tome seu lugar na linhagem familiar e na sociedade.

Os objetivos da relaxação vão de encontro aos objetivos da Psicomotricidade, enquanto ciência, que são:

- Dar um corpo, por intermédio do trabalho voltado para a percepção e para o movimento;
- Dar um lugar ao corpo, uma presença, permitir à criança ser o ATOR, e não simplesmente o NARRADOR.

Pela Psicomotricidade proporcionamos a experiência do espaço à criança, e o objetivo desta experiência é o de oferecer a ela um lugar, lugar este que ela vai ocupar em relação aos outros. É nesta medida que se torna fundamental que o terapeuta se mantenha em seu lugar, cuidando para não ser demasiadamente maternal ou rígido. Enfim, ocupar o seu lugar que será, aí, o lugar do outro.

A utilização desta técnica é mais frequente nas crianças a partir de 5 anos, embora possa ser utilizada em crianças menores. Porém, nestas últimas a relaxação entre de forma adaptada, sucinta e lúdica.

CENA CLÍNICA 1

B. de 5 anos utilizou a argila para fazer o próprio corpo (foto 1) a seguir foi convidado a viver a experiência corporal voltada para a respiração (estágio 9 da técnica). Ao terminar seu vivido corporal diz que gostaria de fazer seu corpo de novo, pois, havia descoberto “coisas” (foto 2).

CENA CLÍNICA 1

O enriquecimento na representação do próprio corpo pode ser visto após a experiência da respiração que vem dar volume, vem “encher” o corpo, dando-lhe a sensação de tridimensionalidade.

Nos adolescentes a relaxação parece-nos bastante útil, pois na adolescência as modificações corpóreas são tantas, e tão bruscas, que uma técnica que auxilia a consciência corporal pode fornecer enormes benefícios.
Para ilustrar sua importância nessa etapa do desenvolvimento humano, podemos nos remeter aos meninos tailandeses presos na caverna. Sabemos que a cultura oriental há muito privilegia as técnicas de modificação tônica e de consciência de si. Essas serviram de importante recurso na busca de controle e regulação emocional durante todo o período em que os meninos lá ficaram aprisionados, sob o cuidado de seu treinador que, por sua vez, deve ter lançado mão de seus conhecimentos de auto regulação para manter o domínio da situação e levar os demais a uma condição favorável à superação das circunstâncias. Quando resgatados, todos foram unânimes em citar o relaxamento e a meditação como grandes aliados nos piores momentos vividos ali.

CENA CLÍNICA 2

R. de 15 anos iniciou a terapia psicomotora há 6 meses (foto A) e a técnica proposta foi a de Bergès-Bounes. Por volta da 10ª sessão, estágio onde o sujeito é convidado a experimentar a vivência de globalização (onde todos os seguimentos trabalhados até então são experimentados juntos), R. volta a usar o desenho como forma de expressão (foto B). Ao analisarmos as duas representações de seu corpo podemos observar as modificações não só no traçado, mas também na riqueza de detalhes que a segunda representação nos oferece.

CENA CLÍNICA 2

Vamos pensar nas instabilidades psicomotoras. As instabilidades, em seu estado tensional, aparecem como uma falha de um sistema tônico-motor defensivo. A paratonia é, aqui, o sintoma principal. Essa incapacidade de descontração traduz uma defesa tônica, um estado de alerta permanente, que se manifesta tanto na ocasião de um gesto, quanto na situação de uma mobilização passiva. O corpo é reduzido a um núcleo defensivo. Há uma ausência de liberdade motora, uma fixação postural, que nos parece bastante significativa.

A relaxação pode ser de grande eficácia, pois vai possibilitar à criança uma experiência tônica diferente, proporcionando a conquista, parte por parte, do seu corpo, de um novo estado tônico que, sem dúvida, por seu caráter topográfico, resultará numa forma de viver o espaço.

Nas crianças dispráxicas encontramos as dificuldades na motricidade geral e na motricidade fina, mas não é isso o que está em questão. Trata-se do corpo em relação ao espaço, e não da motricidade. Seja o espaço próximo (relações das partes do corpo entre si), ou o espaço de ação, isto é, das coordenadas espaciais.

O corpo da criança dispráxica ocupa uma posição particular, na medida em que sua ação não atinge seu objetivo desde seu ponto de partida, pois a criança não sabe se posicionar diante da tarefa a ser realizada (seu projeto motor está comprometido). Ela não sabe onde começar, onde parar. O desenrolar do gesto não é harmonioso.
Segundo BERGÈS, seja estrategicamente ou taticamente, a criança dispráxica desloca um movimento sem objetivo, num espaço sem coordenadas. Podemos dizer que seu corpo não está em parte alguma. O espaço não tem coordenadas, o corpo não tem critério, nada começa onde deveria, nenhum limite contorna a ação.

Neste caso, a relaxação, por intermédio do toque, da mobilização das articulações, da sugestão de imagens, possibilita a formação de um envelope, através das sensações, proporciona um início, uma origem da existência de um corpo.

A técnica da relaxação tem como campo de atuação essencial o tônus. O objetivo é a modificação tônica, agindo sobre o tônus de fundo. Conseqüentemente, isso ocasionará uma transformação no tônus de ação, que é exigido no movimento. A ação motora sofrerá modificações após as sessões de relaxação, pois com o aumento da consciência corporal a execução do movimento tornar-se-á mais nítida e precisa.

É importante ressaltar que, a função tônica é fortemente diferenciada da função motora, ou da contração motora. O estado tônico constitui o elemento fundamental de sobrevivência, e põe em funcionamento as funções de adaptação (nutrição, eliminação e respiração). A função motora diz respeito ao movimento, à ação.

Na relaxação o sujeito é convidado a experimentar uma diferenciação entre as funções tônica e motora. A busca das áreas que separam o estado de tensão e de relax é a parte motora desta experiência. Os momentos de mobilização (passiva) e os de retomada (ativa) reforçam a integração tônico-motora.

Nesta experiência vivencial a função tônica é lentamente explorada, experimentada, nas condições privilegiadas da terapia. A flutuação tônica está intimamente ligada à presença, proximidade, distanciamento e intervenção do terapeuta.

Para WALLON a função tônica não é somente um fundo. Ela é sobretudo o campo de flutuação oscilante entre os estados de tensão e relaxamento, organicamente ligada às relações que a criança estabelece com o mundo exterior. Para este autor, o tônus é a primeira forma de relação com o mundo.

Dando o nome de “Diálogo Tônico”, WALLON caracterizou essa modalidade arcaica de relação com um verdadeiro “chamado” para contato (a hipertonia do apelo) – no caso da relaxação, um chamado para a mobilização; e a resposta a esse “chamado” seria fornecida pela modificação tônica (a hipotonia da satisfação).

Nessa relação o terapeuta não é apenas aquele que sugere uma mudança através das palavras, das imagens repetidas e do toque referência, acompanhando e facilitando uma modificação do tônus. O terapeuta é, sobretudo, testemunha de todo um processo de transformação na vivência tônica.

O método BERGÈS/BOUNES explora os segmentos corporais até atingir a globalidade, a unidade corpórea. Vejamos como a relaxação pode auxiliar na conquista do corpo próprio.

Há, inicialmente, um aspecto cognitivo em questão que seria de ordem topográfica. Estabelecem-se as relações espaciais entre os diversos seguimentos do corpo. Poderíamos observar essas relações através das modificações tônicas locais; das mudanças de posições durante as sessões; das referências articulares e musculares durante a mobilização.

Nosso ponto de contato, ao tocar o corpo do outro, é a pele. A pele é a parte mais externa do nosso corpo, a mais exposta. O toque vai propiciar uma consciência progressiva do que poderíamos chamar de envelope do corpo, ou fronteira. Através deste contato o indivíduo vai experimentar o seu limite, sua dimensão. As articulações possibilitam a percepção dos segmentos e suas conexões e continuidades, sua mobilização leva a uma descoberta topográfica do corpo. No trabalho sobre as articulações temos dois processos de grande importância, a saber: a representação e a nomeação.

A representação surge da relação que se estabelece entre o que é SENTIDO + REPRESENTADO + SUGERIDO. Esta é um fator capital para a formação da imagem do corpo. A representação constitui o controle entre a percepção e o fantasma.
Por exemplo, a indução verbal do terapeuta visa integrar as imagens que o indivíduo tem de cada parte de seu corpo, possibilitando um reconhecimento, uma re-descoberta. Através destas imagens torna-se possível a representação, ultrapassa-se o limite do proibido, tornam-se precisos os pontos e as fronteiras.

A nomeação de cada parte do corpo vai autenticar, qualificar e precisar esta descoberta. Leva também o indivíduo a um aumento de vocabulário e à cognição espacial do corpo. Trata-se de uma verdadeira construção do esquema corporal, um processo somatognósico, que nos leva à imagem corporal pela união da representação, sensação e nomeação.

Durante a sessão a imagem corporal é implicada, o esquema espacial surge para referenciar o sujeito, através da demarcação topográfica e da nomeação, possibilitando a constituição de um todo. Um corpo descoberto através do contraste daquilo que é conhecido versus o desconhecido.

Na relaxação, entre os efeitos da vivência segmentaria, observamos não só mudanças de volume, de tamanho e posição, mas, também, as sensações ligadas a movimento, deslocamento, desequilíbrio, torção de tronco, cortes e levitação.

Nesse processo, o corpo é reconhecido pelo terapeuta e, assim, possibilita à criança identificá-lo como SEU.

É nos limites desta armadura cognitiva que o processo dinâmico da sessão vem VESTIR o corpo, investir nele com aquilo que é sentido. O dinamismo está no processo de passagem que se produz entre o conhecimento espacial e verbal da superfície e sua espessura, é o funcionamento interno (articulações e respiração); do outro lado, há o exterior (o terapeuta com seu corpo, seu ritmo, sua voz).
A relaxação age, então, inicialmente, sobre a motilidade e a possibilidade da motricidade. É através da consciência topográfica das partes do corpo, da consciência das sensações corpóreas, das articulações mobilizadas pelo terapeuta, da retomada do tônus de vigília, que o sujeito vai alcançar a produção do movimento. Não ao movimento estereotipado, mas, sim, ao movimento carregado de desejo, um movimento no qual estará contido todo um ser.

As práticas terapêuticas beneficiam-se enormemente desta técnica, utilizando-a como facilitadora nos aspectos temporal e espacial. O sujeito, através da relaxação, vai descobrir seu próprio ritmo, contrastando-o com o ritmo do mundo externo, e vai tomar consciência da dimensão do espaço que ocupa, do seu lugar, que é, primeiramente, o seu corpo.

A relaxação é essencialmente uma experiência pessoal, que tem como implicação o corpo. Esta técnica pode ser vista como indicação terapêutica a partir do momento que traz consigo uma modificação nas respostas, atitudes e reações do indivíduo com o mundo exterior.
Todos estes efeitos fisiológicos constituem a base objetiva das sessões, percebidos pelo sujeito. Essas sensações servem de reforço àquilo que é proposto pelo terapeuta, através das imagens sugeridas.

Os efeitos fisiológicos observados durante o estado de relaxamento servem de apoio à imagem proposta pelo terapeuta. O vai e vem entre a imagem e a sensação propriamente dita constitui o fator dinâmico, de grande importância no processo de cura. Esta relação, imagem-sensação, proporciona ao sujeito um sentimento de unidade corporal. Na esfera psicofisiológica, esta relação proporciona ao indivíduo a possibilidade, não só de atingir a níveis regressivos como de avançar, permitindo a passagem de um nível de estrutura a outro.

RELAXAÇÃO E ESQUEMA CORPORAL CONHECIDO E VIVIDO

Sabemos que a construção do esquema corporal se revela gradativamente à criança como uma fotografia, pouco e pouco o corpo como um todo vai tomando forma, contorno e nitidez. Este processo de construção evolui até por volta dos 4 ou 5 anos. Este corpo “objeto”, representado e estruturado como objeto físico, traz consigo o desenvolvimento da imagem e representação de si.

Existem variáveis que influem na construção do esquema corporal, a saber:

  • Temporalidade – a noção principal para a consciência corporal é a noção do PRESENTE, pois o corpo durante todo este processo está em transformação e é preciso perceber que momento está se vivendo;
  • Linguagem – é a linguagem que vai permitir generalizar e fixar as experiências motoras;
  • Imagem especular – esta se forma através da experiência do espelho que ocorre entre os 6 e 18 meses. A criança apreende progressivamente sua imagem especular como um simples reflexo e, mais tarde como um símbolo.

Mais ou menos aos 6 meses – a criança toma consciência do desdobramento. Ela reconhece a imagem de uma outra pessoa, mas não a dissocia da pessoa;
Mais ou menos aos 8 meses – reconhece a imagem do outro e o outro; surpreende-se com a sua própria refletida. Esta aprendizagem sobre si permite compreender aos poucos que esta imagem é apenas uma imagem e, mais tarde, que ela é a SUA imagem.

Segundo WALLON, a defasagem de tempo entre o conhecimento do outro e de sua própria imagem se faz porque o outro, para a criança, tem duas representações (o outro e a imagem do outro) e ela mesma só tem de si uma representação – a imagem.

Mais ou menos aos 2 anos – ocorre o término do processo com o reconhecimento da própria imagem. O processo finaliza com a consciência de que está onde se SENTE e não onde se VÊ.

Na seqüência standard do método BERGÈS cabe a cada estágio uma ou duas sessões (se necessário) consecutivas de mobilização, com exceção dos trabalhos referentes à globalização, respiração e plexus. Cada um destes estágios deve ser vivenciado aproximadamente 5 (cinco) sessões, devido à dificuldade de suas propostas e por sua importância fundamental no processo de estruturação da imagem corporal.

CONCLUSÃO

É essencialmente esse o papel da relaxação: delimitar o espaço do corpo, fundar as coordenadas topográficas do corpo propriamente dito, tornar conhecidos os limites, pois daí deriva a ação, o movimento. O corpo tocado, nomeado, identificado pelo terapeuta é que vai encher esse envelope, vai se incorporar no interior deste envelope através das representações das imagens sugeridas. As situações clínicas aqui ilustradas são apenas um recorte onde o corpo se representa quer pela argila, quer pelo desenho, no entanto muito maior que esses recortes foi o vivido corporal e a conquista de um lugar – seu corpo – promovida pelos envolvidos nesta técnica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

AJURIAGUERRA, Julian. Manual de Psiquiatria Infantil. São Paulo: Masson,1986.
BERGÈS, Jean & BOUNES,M..Relaxation thérapeutique chez l’enfant. Paris: Ed. Masson, 1996.
BOUSINGEN,P.D. & GEISSMAN, P. Métodos de Relaxação. São Paulo: Ed.Loyola, 1987.
LEVIN, Esteban . A Clínica Psicomotora. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.

  

Artigo atualizado e revisado do original publicado em FERREIRA, Carlos Alberto de Mattos & HEINSIUS, Ana Maria (Orgs). Psicomotricidade na Saúde. Rio de Janeiro: Editora WAK, 2010.
Link para aquisição do livro – EditoraWAK : http://www.leandrolivros.store/produto/17489/psicomotricidade-na-saude

    

    

Outros livros de psicomotricidade:

http://www.leandrolivros.store/departamento/8343/05/psicomotricidade

Outras publicações de Vera Lúcia de Mattos:
MATTOS Vera. & KABARITE Aline. Avaliação Psicomotora - um olhar para além do desempenho. 4a edição - Rio de Janeiro: Editora WAK, 2016.

    

    

    

    

MATTOS Vera. & KABARITE Aline. Psicomotricidade em grupo - o Método GROWING UP como recurso de intervenção terapêutica. Rio de Janeiro: Editora WAK ,2014.

    

    

    

    

MATTOS Vera. (org) e col. - Desenvolvimento Infantil - 130 ideias para estimular brincando (no prelo). Rio de Janeiro: Editora WAK.

1 Resposta

  1. Vera é ótima para nos clarear o trabalho da relaxação! De forma simples e tranquila nos leva a compreender como o tônus/emoção moldam nosso corpo próprio e permitem representações a serem modificadas com a consciência de si mesmo.

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